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História do Pixo Paulista
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O pixo tem uma longa história que data desde o período da Antiguidade, passando pela Idade Média, até chegar na Modernidade, onde o surgimento e a popularização do aerosol fez com que o movimento se expandisse e ganhasse força. Cada época tinha o seu próprio jeito de fazer o pixo, manifestando o espírito do tempo de cada sociedade, com seus pensamentos, reivindicações e estilos próprios.
Em São Paulo, a pixação se fortaleceu em 1985, após o fim da Ditadura Militar no Brasil. Esse período de abertura política e social proporcionou um ambiente propício para o surgimento de novas formas de expressão, especialmente entre os jovens.
As primeiras formas da caligrafia do pixo foram influenciadas por tags estadunidenses. No entanto, o movimento se desenvolveu de maneira autônoma, incorporando elementos da cultura local e criando uma estética própria. O "pixo reto", estilo caracterizado por letras retas, alongadas e pontiagudas, se tornou a marca registrada da pixação paulista, diferenciando-a de outras formas de pichação, como o "xarpi" do Rio de Janeiro. Sua estética foi influenciada por cartazes e encartes de CDs de bandas punk e heavy metal dos anos 1980, que utilizavam runas nórdicas em sua tipografia.


O pixo apareceu como uma forma de expressão para jovens marginalizados, que buscavam reivindicar seu espaço na cidade e tornar sua presença visível. É um grito de resistência contra a invisibilidade social e a desigualdade, ganhando caráter transgressivo quando vemos pixadores em lugares de difícil acesso, como topos de prédios, demonstrando coragem, audácia e desafio à ordem estabelecida. Exprime também uma posição política e de crítica social, como demonstrado pelo coletivo PME (Pixo Manifesto Escrito), que escreve mensagens políticas em seus pixos.

A partir da década de 2000, a pixação começou a ser vista por um novo prisma, ganhando espaço em galerias de arte, museus e eventos culturais. O documentário "Pixo" (2009), dirigido por João Wainer e Roberto Oliveira, teve um papel fundamental na difusão da pixação e na mudança de percepção do público. Pixadores participaram de importantes eventos artísticos, como a Bienal de São Paulo em 2010 e 2012, a exposição "Pixo, Logo Existo!" na Pinacoteca de São Paulo em 2007 e a exposição "Né dans la rue" na Fundação Cartier em Paris em 2009. A série "Ataques" (2008), idealizada pelos pixadores PIXOBOMB e CRIPTA DJAN, consistiu em intervenções em espaços artísticos como o Centro Universitário Belas Artes, a Galeria Choque Cultural e a própria Bienal de São Paulo, com o objetivo de provocar o debate sobre a pixação como arte. Apesar do reconhecimento artístico, a pixação continua sendo criminalizada em São Paulo, o que gera tensões e debates sobre a sua legitimidade como forma de expressão.

Perguntas mediadoras
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Como que o surgimento e a evolução do pixo podem ser utilizados para o entendimento da história de um lugar?
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Quais são as mensagens que os pixos que vemos hoje nas ruas passam?
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Quem são as pessoas que pixam?
Dicas de referências
Documentário "Pixo", de 2009: https://www.youtube.com/watch?v=skGyFowTzew
Artigo “Ocupando o cubo branco: reflexões sobre a entrada da pixação no mundo da arte” de Gabriela Pereira de Oliveira Leal e Ricardo Marnoto Oliveira Campos: https://www.jstor.org/stable/48708055
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